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Segunda-feira, 29 de maio de 2017 -

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23/08/2013 - MAÇAIOK abri temporada do Turismo Pedagógico na RPPN-Osvaldo Timoteo com o Colégio COC

19/08/2013 - Ecologista Osvaldo Timóteo toma posse no Conselho da APA de Murici



05/09/2013 - Portal Destino Alagoas lança RPPN-Osvaldo Timóteo e Pousada Beija Flor na rodada de Negócios na ABAV

07/08/2013 - Reportagem Nidi Lins Reserva Osvaldo Timoteo e Pousada Beija-flor:Terapia ecológica

01/08/2013 - Operadora de Turismo Infinitas Travel visita Reserva Ecológica Osvaldo Timóteo e Pousada Beija-flor

01/08/2013 - São José da Laje realiza Reunião da Instância de Governança da Região dos Quilombos

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18/12/2012 - CENTENÁRIO POETA JOÃO PINHEIRO LYRA FOI CELEBRADO COM RELANÇAMENTO DE LIVRO DE POESIA

A secretária da Cultura e Turismo de São José da Laje Jacineide Maia foi a grande mentora do projeto de reedição do livro ¨ Essências do Brasil em Jarros do Japão do Poeta João Pinheiro Lyra em comemoração ao centenário do poeta pernambucano radicado em Alagoas, no município de São José da Laje.Este projeto foi encampado pela Federação das Industrias de Alagoas- SISTEMA FIEA e Angélica Lyra, filha do poeta grande arquivista da memória poética e afetiva do pai ,foi a responsável em reunir o acervo deixado pelo pai para confecção do livro que reúne poesias, além de imagens de manuscritos de sonetos, artigos e desenhos feitos por João Pinheiro Lyra a bico de pena.

O livro “Essências do Brasil em Jarros do Japão” foi lançado do dia 18 de dezembro ás 19h30, no Museu Palácio Floriano Peixoto (Mupa). A publicação traz poemas em estilo Haicai (poema de origem japonesa onde se valoriza a concisão e a objetividade), produzidos pelo poeta João Pinheiro Lyra entre os anos de 1948 e 1951. Todo o acervo do poeta foi exposto no dia do lançamento, além de esculturas inspiradas em sua obra literária.

BIOGRAFIA.

Este trabalho é uma reprodução do livro “Essências do Brasil em Jarros do Japão” do Poeta João Pinheiro Lyra.
O livro original editado em 1951 numa pequena gráfica do município de São José da Laje, Estado de Alagoas, tem apenas 17 centímetros, é todo ilustrado pelo autor, e trata, segundo ele, de “uma interpretação da obra de Omar Ibn-Ibrahim Al-Khayyami, o Poeta-Astrônomo da Pérsia, em haikais, ou tercetos à moda japonesa”.
Mesmo de posse dos clichês, dificilmente teríamos condições de reproduzi-lo. Resolvemos então, com auxílio da tecnologia, optarmos pela cópia do livro no tamanho original dos desenhos a bico de pena, contendo páginas com textos manuscritos pelo autor, e obedecendo, o tanto quanto possível, a estrutura do original.
É um esforço para atender aqueles que buscam conhecer a obra do poeta já que o original é considerado por muitos uma raridade e, acima de tudo é uma homenagem filial pela passagem do cinqüentenário de sua morte.
Para que o poeta João Pinheiro Lyra seja mais bem identificado acrescentamos sua biografia e sua foto.

Maria Angélica Lyra
angelicalyra_307@hotmail.com

João Pinheiro de Andrade Lyra, filho de Líbia de Andrade Lyra e de Carlos Lyra Filho conhecido no meio jornalístico como o “Príncipe do Jornalismo no Nordeste”, nasceu aos três dias do mês de novembro de 1912, em Timbaúba, Estado de Pernambuco, cidade conhecida como “Princesa Serrana” e fez-se filho de São José da Laje, Estado de Alagoas, conhecida como “Princesa das Fronteiras”.

O nome João Pinheiro foi uma homenagem de seu pai ao seu grande amigo e também jornalista, de Minas Gerais.

Com príncipe e princesas em sua trajetória de vida optou por ser um vassalo da arte, da poesia, do sentimento maior: o amor por tudo que é belo.

Foi batizado na cidade de Olinda – PE, aos vinte e oito dias do mês de março de 1913, pelo Cônego Benigno Lyra tendo como padrinhos Salvador Lyra e Antonieta Lyra. Permaneceu em sua terra natal até os oito anos de idade sob os cuidados de seus avós maternos João de Andrade e sua Senhora Maria Lyra Andrade. Em seguida, dando continuidade a sua educação já aos cuidados paternos, estudou em Garanhuns-Pe, e iniciou o curso ginasial no “Ginnasio de São Bento” em São Paulo, onde se destacou como melhor aluno de Francês, de Inglês, de Português e de Religião, recebendo além de certificados e livros, uma medalha de “Honra ao Mérito”. Os cursos médio e superior foram concluídos nos Estados Unidos da América e Europa, respectivamente.

Voltando ao Brasil, João Pinheiro era então identificado como poeta, jornalista, escultor, xilógrafo, pintor, professor, poliglota, músico, engenheiro, manejando a matemática com precisão de cálculos e raciocínio rápido. “... era nos resultados dados a queima-roupa que João Pinheiro revelava sua inteligência admirável, seu inigualável poder de raciocínio, a ponto de parecer-se um falso valor à procura de notoriedade pelo impressionismo”, disse um amigo.

Fixando residência no município de São José da Laje, contraiu matrimônio com Josefa Vieira Lyra com a qual teve sete filhos: Ivan Gregório Lyra (falecido), Eugênio Fabrício Lyra (Corretor de Imóveis), Maria Líbia Lyra Vergeti (artista plástica e professora) Maria Angélica Lyra (Professora), Maria Elisabete Lyra Nobre (Economista), João Pinheiro de Andrade Lyra Filho (João Lyra - Músico) e José Carlos Lyra (Dydha Lyra - Advogado, Artista Plástico, músico e cantor).

Em outubro de 1951, João Pinheiro iniciou a construção de sua residência, no município de São José da Laje – AL., em estilo greco-romano, concluindo-a em junho de 1954, que até hoje chama a atenção de lajenses e visitantes por seu estilo, por conter em sua fachada os signos do zodíaco, medalhões com figuras de Deuses da mitologia grega em mosaicos por ele confeccionados e, na cumeeira da casa uma estátua de Minerva, a Deusa da Sabedoria.

Essa residência, com o passar dos anos recebeu dos lajenses o nome de “Casa dos Signos” e é muito visitada por curiosos, alunos de nível fundamental, médio e superior para pesquisa e elaboração de trabalhos escolares.

Também em 1951, é feito em São José da Laje o primeiro livro do Poeta e o primeiro do município, na Tipografia São José, de propriedade de José de Holanda Cavalcante Valença. ”Essências do Brasil em Jarros do Japão”, é um livro de haicais, com ilustrações à bico de pena feitas pelo autor; com introdução e outras tantas páginas manuscritas, clicheria de Telles de Recife e prefaciado por Mauro Motta. Foram 500 exemplares dessa edição anteprimeira e fora do comércio, 332 com dedicatória e entrega feita pelo autor.
Apaixonado por poesia, João Pinheiro deixa uma produção literária bastante significativa. No gênero haicai são 435, além de poemas, artigos, discursos.

Outras informações:

Escultura
São vários os seus trabalhos em madeira, podendo ser encontrado em sua residência os quadros das duas primeiras turmas de Concluintes ginasiais, molduras trabalhadas, mesa, cadeiras. Consta em seus arquivos informações sobre vários quadros talhados em madeira doados à arquidiocese de Maceió, outros doados para leilões em benefício da paróquia de São José da Laje.

Pintura
A única que dispomos, foi pintada na parede da capela em sua residência representando Cristo crucificado, em seus momentos finais.
Os forros dos quartos, salas e da sala de banho, são pintados desenhos feitos por João Pinheiro, que na época usou moldes vazados para transferir esses desenhos para o teto.

Música
Tocava piano, violino, violão, bandolim sendo este último talvez o seu instrumento predileto. Era tocando Bandolim, que João Pinheiro despertava a sua amada esposa às madrugadas, tocando entre tantas, uma de suas músicas preferidas, a canção russa – Olhos Negros.

Desenho
São muitos os desenhos a bico de pena que ilustra o seu livro “Essência do Brasil em Jarros do Japão”.Dispomos dos originais e clichês que eram utilizados pelas antigas tipografias para impressão desses desenhos. Em seus arquivos encontramos os esboços de tantos outros.

Biblioteca
Pode-se encontrar em sua biblioteca, livros dos mais diversos assuntos e de vários idiomas. Quem o conheceu diz que o mesmo falava bem o inglês, francês, espanhol, italiano, alemão e com ajuda de dicionário bem traduzia o grego e o japonês.

Marcenaria.
Era intenção de João Pinheiro Lyra, fazer móveis para sua residência, e para tal montou uma marcenaria em um dos salões do primeiro andar, mas só chegou a fazer as cadeiras da copa, cujo encosto alto divisa-se uma lira e um pinheiro.

O Poeta
Quem o conheceu diz que fazia versos com uma rapidez admirável e em qualquer lugar, bastava para isso dispor de papel e lápis.
Em sua residência deixou um arquivo com várias fichas, cada uma com um haikai por ele produzido. Depois de levantamento feito, somando-se os publicados em seu livro, os publicados no ‘Diário de Pernambuco e os inéditos, João Pinheiro produziu 435 kaikais de 14 de julho de 1948 com os três primeiros À Alvorada, conforme se encontra em três dessas fichas, embora que no livro conste como de 1949 (ano que mais produziu), até os três últimos escritos em janeiro de 1951, dois no dia 12 e o último no dia 13 que diz:

Libertação

Borboletas são
Mil cores fugindo às dores
De um cárcere, o chão!


A maioria das fichas contém, além da data, o local em que estava; em algumas o que o inspirou ou quem solicitou ou provocou.

A impressão que nos deixa João Pinheiro é de que andava com essas fichas e lápis ao alcance das mãos e que era muito detalhista.

A exemplo:

Maceió 28 07 49
SÃO PAULO
Cadinho onde a lida
Mistura forças, e apura
Essências de Vida1...

Hoje, mais ou menos 11 horas da manhã, encontrou-se comigo o Amintas, de “A Notícia” e me solicitou uma colaboração poética para uma próxima edição especial em homenagem ao Estado de São Paulo. Enquanto conversávamos escrevi este haikai.
JPLyra ,Maceió, 28/07/49

*Trem M-L
09.10.48
Às armas, Imprensa do Brasil!
Um haikai de João Pinheiro Lyra para os Diários Associados

Se és fera, julgada...
Impõe-te, e a vencer dispõe-te,
Desamordaçada!

Remetido n/d, sob registro aéreo nº 4 639, ao Dr. Assis Chateaubriand, a/c p.e.o. “O Jornal”, Rio.
*Trem M-L. Trem Maceió – Laje

João Pinheiro de Andrade Lyra faleceu às vésperas dos 43 anos, em 05 de outubro de 1955, no Hospital Centenário do Recife. Sepultado no Cemitério Santo Amaro, seus restos mortais encontram-se hoje em São José da Laje, no mausoléu da família.

Dr. João Pinheiro de Andrade Lyra
Pesquisa Maria Angélica Lyra
(filha do autor)

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